
Panfletos… Existe coisa mais irritante? Eu não recebo os recebo – folhetinhos, santinhos, borrachudos, seja lá como você os chama: pequenos papéis que a quase todo custo tentam nos entregar nas ruas – não aceito.
Considero a panfletagem, vinda de qualquer meio, a forma mais estúpida de comunicação inventada na história humana. Por quê? Por que 90% do material impresso têm como destinação certa uma lixeira, calçada ou quintal nos 5 segundos subseqüentes à sua distribuição! Se você acha lucro nos outros 10% que talvez leiam anúncio, saiba que tudo que fez foi irritar 9 possíveis clientes para contar a 1 que seu xampu é mais barato.
Na política, o uso de panfletos parece algo ainda mais contraditório: você, candidato, está tentando convencer a mim e a mais algumas centenas de pessoas de que o senhor é um cara legal, honesto e super preocupado com o destino do país. E o que você faz? Imprime BILHÕES de panfletinhos com a sua CARA DE PASTEL e contrata um pequeno EXÉRCITO de semi-escravos que vai se encarregar de distribuir tudo por aí. E 5 segundos depois o que virou sua tonelada de papel?

LIXO. Pura, simples e somente isso. Lixo que entope bueiros, lota lixeiras, dezena de árvores que morreram com o propósito de COISA nenhuma. Tem algo mais contraditório do que alguém prometer ajudar a nação e contribuir, antes mesmo de ser eleito, para a poluição do mundo? Isso quando não enfiam centenas daquelas coisinhas pequenas e deslizantes na soleira da nossa porta, caixas de correio ou qualquer buraco de ventilação, invadindo nossas esferas de privacidade e sagrado descanso.
E não me venham com a conversinha de que com os santinhos se apresentam os candidatos e suas propostas. Nunca vi UM folhetinho que contivesse UMA proposta, no máximo uma frasezinha no estilo “pela saúde e educação”, mais clichê que Helena em novela das oito. Se um candidato quer tornar seu rosto conhecido, ele que use outdoor ou homens-sanduíche. Nem fale, como justificativa, que estes folhetos lixo-descartável orientam a população de classe baixa com dificuldade para memorização de números. Essas praguinhas são distribuídas em todo local habitado, de qualquer classe, e o único objetivo que parece realmente existir é o de estourar a minha paciência.

Tão poluentes e irritantes quanto os panfletinhos são os carros de som em máximo volume, destruindo ambientes de descanso com jingles clichês geralmente feitos com o ritmo de músicas de baixa qualidade. É tão perfeitamente desconfortável acordar de manhã com uma canção eleitoral chata… E as pessoas premiam estas formas abusivas de comunicação com votos…
Meu sonho de vida para as próximas eleições é a produção de um banner, que fixarei na frente da minha janela.
“SR. CANDIDATO
Este apartamento não vota em quem entope casas com propaganda poluente. Respeite o seu eleitor.”
É claro que haveria uma continuação nas vésperas da eleição, quando eu publicaria a lista dos “contemplados” com a perda do meu voto por não respeitarem meu espaço.
Ah! Solto suspiros só de pensar! Mas, enquanto isto não é possível, contento-me em rejeitar, justificadamente, qualquer santinho que entreguem, declarando:
“Sou contra propaganda poluente.”
O pobre coitado do panfleteiro semi-escravo provavelmente nem entende o que envolve estas palavras. Mas eu entendo. E isso me basta.




































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