Como o Álcool afeta a sua vida

Os efeitos do consumo do álcool a curto prazo são bem conhecidos por todos: ressaca, cansaço, má aparência, mau humor etc. A longo prazo, a ingestão da substância está associada a várias condições, entre elas o câncer de mama, câncer oral, doenças cardíacas, derrames e cirrose hepática, entre inúmeras outras. Pesquisas também associaram o consumo de álcool em doses elevadas a problemas de saúde mental, perda de memória e diminuição da fertilidade. Entretanto, estudos também concluíram que, ingerida com moderação, a substância pode ter um efeito benéfico, ajudando a proteger o coração ao elevar os índices do bom colesterol no organismo e impedir a formação de coágulos sanguíneos. Não existe nível seguro para o consumo de álcool. Mas se você quer mesmo beber, não exceda 2 doses por dia para homens e 1 dose para mulheres. Outra coisa importante, mesmo para quem bebe com moderação é a qualidade da bebida ingerida. Vinhos, uísques, cervejas e qualquer outra bebida alcoólica de baixa qualidade são duplamente perigosos para a saúde.

bebida-alcoolica

Efeitos menos conhecidos

· Problemas digestivos

· Espinhas e inchaço no rosto

· Celulite

· Perturbações do sono

· Depressão

· Perda de memória

· Diminuição da fertilidade

A ingestão de mais de três copos de bebida alcoólica por dia prejudica o coração. O consumo excessivo, especialmente a longo prazo, pode resultar em pressão alta, cardiomiopatia alcoólica, falência cardíaca e derrames, além de aumentar a circulação de gorduras no organismo. As associações entre o consumo de álcool e o câncer também são bastante conhecidas. Um estudo publicado no British Medical Journal, no ano passado concluiu que o consumo de álcool provoca pelo menos 13 mil casos de câncer por ano na Grã-Bretanha, nove mil em homens e quatro mil em mulheres. O efeito negativo do álcool para a saúde em geral pode estar associado a uma substância conhecida como acetaldeído – produto em que o álcool é transformado após ser digerido pelo organismo. Essa substância é tóxica e experimentos demonstraram que ela danifica o DNA. O cientista KJ Patel, que trabalha no laboratório de biologia molecular do Medical Research Council, na Grã-Bretanha, vem pesquisando os efeitos tóxicos do álcool. “Não há a ocorrência de uma célula cancerosa a não ser que o DNA seja alterado. Quando você bebe, o acetaldeído está corrompendo o DNA da vida e colocando você no caminho para o câncer”.

Imunidade e Fertilidade

 

Um relatório publicado recentemente na revista científica Bio Med Central (BMC) Innunology revelou que o álcool afeta a capacidade do organismo de combater infecções virais. E estudos sobre fertilidade indicam que mesmo o consumo moderado da substância diminui a probabilidade de uma mulher conceber. Nos homens, o consumo excessivo diminui a qualidade e quantidade de esperma. KJ Patel acaba de completar uma investigação sobre os efeitos tóxicos do álcool sobre ratos. Seu estudo indica que uma única dose excessiva de álcool durante a gravidez pode ser suficiente para provocar danos permanentes sobre o genoma do feto. A Síndrome Alcoólica Fetal, segundo Patel, “pode resultar em crianças com danos sérios, nascidas com anomalias na cabeça e face e com deficiências mentais”.

Fígado

 

O médico Nick Sheron, que comanda a unidade de fígado do Southampton General Hospital, na Inglaterra, disse que os mecanismos por meio dos quais o álcool prejudica o organismo não são claros. “A toxicidade do álcool é complexa, mas sabemos que há um relacionamento próximo e claro”. Quanto maior a ingestão semanal, maior o dano ao fígado e esse efeito aumenta exponencialmente em alguém que bebe de seis a oito garrafas de vinho – ou acima disso – nesse período. Segundo Sharon, nas últimas duas ou três décadas, houve um aumento de 500% no número de mortes por doenças do fígado na Grã-Bretanha. Dessas, 85% foram provocadas pelo álcool. O ritmo desse crescimento começou a diminuir, mas muito recentemente. “O álcool tem um impacto maior sobre a saúde do que o fumo porque mata em uma idade menor”. Segundo o especialista, doenças do fígado provocadas pelo consumo de álcool matam por volta dos 40 anos de idade.

Principais riscos para a saúde

Três drinques por dia, habitualmente, já caracterizam o alcoolismo e estão associados a:

· Cânceres da cavidade oral e faringe, esôfago, laringe, seio, fígado, cólon e reto.

· Cirrose hepática.

· Hipertensão.

· Pancreatite crônica.

· Tuberculose

· Polineurite

O consumo de álcool é, cada vez mais, um problema de saúde pública. No início do ano, o serviço nacional de saúde britânico, NHS, anunciou que internações associadas ao consumo de álcool na Grã-Bretanha atingiram nível recorde em 2010. Houve mais de um milhão de internações, em comparação com 945.500 em 2008-2009 e 510.800 em 2002-2003. Quase dois terços dos pacientes eram homens. Segundo a entidade beneficente britânica Álcool Concern, há estimativas de que o número de internações possa alcançar 1,5 milhão por volta de 2015. Quando são considerados os perigos para o indivíduo e a sociedade como um todo, o álcool é mais prejudicial do que a heroína e o crack – concluiu um estudo publicado no ano passado na revista científica The Lancet. O estudo, feito pelo Comitê Científico Independente sobre Drogas, órgão científico independente que estuda as drogas e seus efeitos, concluiu também que o álcool é três vezes mais prejudicial do que a cocaína e o tabaco porque é usado de forma muito mais ampla.

Consumo Recomendado

 

A diretora de pesquisas do Institute of Alcohol Studies, Katherine Brown, disse que as orientações atuais sobre o consumo de álcool e a forma como essas diretrizes são comunicadas à população podem estar contribuindo para a desinformação do público. “Precisamos ser cuidadosos quando sugerimos que existe um nível ‘seguro’ de ingestão. Na verdade, precisamos explicar que existem riscos associados ao consumo do álcool e que quanto menos você bebe, menor seu risco de desenvolver problemas de saúde”. Para a especialista, “é preciso mudar a percepção de que beber regularmente é uma prática normal e livre de riscos” O médico Nick Sheron concorda. “Não existe um nível seguro. As pessoas apreciam um drinque, mas precisam compreender que existem muitos riscos”.

(Fonte: BBC Brasil)

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